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Manejo de pesca no Paraná do Dururuá. Foto: Divulgação/APITPAD |
Com o apoio do Governo do Amazonas,
comunidades indígenas fazem os últimos preparativos para realizar a despesca do
pirarucu na localidade conhecida como Paraná do Dururuá, situada no município
de Coari (a 370 quilômetros de Manaus). A ação faz parte do plano de manejo participativo
e sustentável, que abrange uma área de 20 mil hectares e cujo projeto foi
protocolado na Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) pela Associação
dos Povos Indígenas Tikuna do Paraná do Dururuá (APITPAD).
Do total de 30 lagos, vinte e
quatro já se encontram georreferenciados e classificados por categoria de manejo,
mas a despesca (que deve ocorrer até o início do segundo semestre deste ano) será
feita em três deles: Campina Grande, Campininha e Âmago. A liberação da cota atinge
30% do total de pirarucus adultos e também requer autorização para a captura,
transporte, armazenagem e comercialização do produto.
O objetivo é gerar renda e promover melhorias na
qualidade de vida dos moradores do Paraná do Dururuá, que está situado a 30 quilômetros
da sede do município e é ocupado por 180 habitantes, divididos em 70 famílias.
A maioria vive da coleta dos frutos nativos da castanheira, açaí, piquiá, uxi, alguns
cipós e ainda exerce o plantio da mandioca, abacate, limão, açaí, cupuaçu,
caju, ingá, além da atividade de pesca.
A implementação do manejo do
pirarucu ocorre desde 2011, por meio da parceria dos indígenas com a Seind e
instituições como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam),
dentro da câmara técnica “Sustentabilidade Econômica dos Povos Indígenas”, integrante
do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Funai).
“A realização da despesca do
pirarucu dará maior credibilidade ao trabalho e possibilitará, aos comunitários,
uma maior reflexão sobre a importância ecológica do mesmo”, justificou a
APITPAD.
Ao longo desses quatro anos, várias atividades foram
realizadas para a efetivação do plano de manejo (ver quadro abaixo). No mesmo
período, os lagos inseridos têm sido monitorados pelos próprios moradores
envolvidos.
Os resultados positivos obtidos ao longo deste tempo
sempre estiveram de acordo com as determinações das regras de uso estabelecido
pelos moradores, que possibilitou um aumento expressivo dos estoques pesqueiros
dentro da área composta pelos respectivos lagos, levando as entidades competentes
a formalizar, por meio desse início de trabalho, a liberação da primeira
despesca do tambaqui na área de manejo.
Entrega
de redes
A Seind tem acompanhado os passos dos indígenas na
luta por melhores dias, por meio da pesca. Em março de 2013, a secretaria promoveu
a entrega de nove redes de pesca a comunidades de Coari, como parte do Projeto
de Manejo de Pescado da APTPAD. O material foi entregue na comunidade São
Miguel do Paraná do Dururuá e foi utilizado após o fim do defeso para a pesca
de aproximadamente dez toneladas de tambaqui.
Sobre
a APITPAD
A articulação para a elaboração de um plano de
manejo sustentável dos recursos pesqueiros no Paraná do Dururuá (assim como de
outros recursos naturais), já vem de longa data e ganhou reforço com a criação
da APITPAD, no dia 19 de abril de 2009. A entidade tem como objetivo principal,
a defesa de direitos sociais dos povos indígenas Tikuna, do Paraná Dururuá, a conservação
de ecossistemas na região e o manejo de mais atividades, inclusive, o referente
à ictiofauna.
CRONOGRAMA DE ATIV IDADES REALIZADAS
MÊS/ANO
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ATIVIDADES
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Março
de 2011
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Inventário
e georreferenciamento de parte dos 30 lagos inseridos no plano de manejo e mobilização
das comunidades sobre o manejo do pirarucu.
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Julho
de 2011
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Fechamento
do georreferenciamento de 24 dos 30 lagos do complexo de lagos do Paraná do Dururuá.
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Agosto
(6 a 14/08/2012)
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Curso
preparatório para exame de Arrais Amador (Seind/Cetam).
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Dezembro
(17 a 19/12/2012)
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Oficina
de Capacitação de Manejo de Lagos com Ênfase no Pirarucu – treinamento de
contagem visual e auditiva para contagem de pirarucus (ACJ); com práticas de
contagem nos lagos Âmago e Branco.
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Dezembro
(20 a 23 e 29/12/2012)
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Lagos
inseridos no manejo e efetuação da contagem de pirarucu: Campina Grande,
Campininha, (Âmago), Fundão, Quininha Comprido e Quininha Redondo, (Branco),
Juquiri, Buiuçu, Pajé, Tendal e Apui.
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Janeiro
(14 a 17/01/2013)
(30/01/2013)
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Entrega
do relatório anual em Manaus, referente a 2012 (Ibama,
IPAAM, MPA, Funai e Seind).
Criação
de equipes de vigilantes compostas por 13 grupos de quatro pessoas, pertencentes
aos membros associados.
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Novembro
(25 a 29/11/2013)
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Contagem
de pirarucus nos lagos Campina Grande, Campininha, Âmago, Fundão, Fundãozinho,
Quininha Comprido e Quininha Redondo, Branco, Juquiri, Buiuçu, Pajé, Pajezinho,
Tendal e Apui.
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Maio
(20 a 22/05/2014)
Julho
(17/07/2014)
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Visita
do Ibama e da Funai nas áreas de manejo de lagos em Dururuá. Criação do
Regimento Interno.
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Dezembro
(7 a 14/12/2014)
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Contagem
de pirarucu nos lagos Campina Grande, Campininha, Âmago, Fundão, Quininha
Comprido e Quininha Redondo, Branco, Juquiri, Buiuçu, Pajé, Tendal e Tacho.
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Dezembro
de 2014
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Reunião
para discutir os custos da infraestrutura e apetrechos para a efetuação da
despesca do pirarucu.
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Fevereiro
de 2015
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Entrega
do Plano de Manejo de Lagos (Dururuá) nas instituições ambientais em Manaus.
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Fonte:
APITPAD/Seind
O Indio não pode ser corrompido , E não deve corromper. Tem que expulsar esses garimpeiros madereiros exploradores e destruidores da natureza.
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