Pesquisar este blog

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Indigenização das cidades: comunidades pluriétnicas?

Indígenas dos municípios de Manaus e Rio Preto da Eva, a 70 quilômetros da capital do Amazonas, participam do debate “Indigenização das cidades: comunidades pluriétnicas?”, na programação do projeto Papos e Ideias, promovido pela Livraria Saraiva e o Instituto Nova Cartografia Social (INCS). O evento ocorre neta terça-feira (23), a partir das 19h, no Espaço Cultural Thiago de Mello, na Saraiva MegaStore instalada no Manauara Shopping.

O INCS é vinculado ao Centro de Estudos do Trópico Úmido da Universidade do Estado do Amazonas (CESTU/UEA) e realiza o evento com o apoio dos programas de pós-graduação em Direito Ambiental, da UEA; em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGAS), em Sociologia (PPGS) e em Antropologia (PPGAS), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O debate sobre conflitos indígenas promovido no âmbito do projeto Papos e Ideias desenvolvido conjuntamente entre Saraiva e INCS quer promover debates sobre os conflitos enfrentados por povos indígenas nas cidades. O tema desta segunda edição,“Indigenização das cidades: comunidades pluriénicas?, é um desdobramento do primeiro debate, realizado no dia 23 de julho, que trouxe o tema “Índios na cidade de Manaus”.

"Não se pode falar de uma tendência à 'indigenização das cidades amazônicas', como se projetou em décadas passadas uma 'nordestinização das cidades amazônicas'. Está-se diante de novos processo de deslocamento de povos e comunidades que tem se constituído num fenômeno recente e bastante complexo, que exige instrumentos analíticos acurados”, avalia o coordenador do INCS, Alfredo Wagner Berno de Almeida.

Os palestrantes são o pesquisador Glademir Sales, mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia; Fausto de Andrade da Costa Filho, liderança indígena  da Associação Etno-Ambiental Beija-Flor, de Rio Preto da Eva; e a pesquisadora e jornalista Ivânia Vieira, editora do caderno de Política do jornal A Crítica.

Também participam do evento, a pesquisadora Caroline Nogueira, da área de Direito Ambiental, que atualmente desenvolve o projeto "Aldeias-Municípios indígenas: repensando o federalismo e o constitucionalismo latino-americano", e o pesquisador Pery Teixeira, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), para falar sobre o levantamento de dados demográficos sobre indígenas residentes em Manaus.



papos-e-ideias2.jpg





--
Clayton Rodrigues
MSc. em Antropologia Social
Pesquisador do Instituto Nova Cartografia Social. Centro de Estudos do Trópico Úmido
Universidade do Estado do Amazonas - UEA
Professor do Instituto de Teologia Pastoral e Ensino Superior da Amazônia - ITEPES
(92) 9186-0022

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Seind inclui política de gestão ambiental e territorial em PPA


Secretário Bonifácio José faz balanço e apresenta PPA a jornalistas na Seind. Foto: Vívian Azevedo e Isaac Júnior

Por: Isaac Júnior
A Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) apresentou nesta segunda-feira, 22, à imprensa amazonense, um balanço dos dez anos de atuação dos indígenas dentro do Governo do Amazonas e as metas do órgão para os próximos quatro anos.  Entre as principais ações contempladas no Plano Plurianual do Executivo (PPA da Seind de 2012 a 2015) estão a elevação da política de gestão ambiental e territorial das terras indígenas, a comercialização de produtos dessas terras no mercado nacional, o extrativismo mineral e a energia alternativa comunitária. 

A secretaria também vai trabalhar para efetivar a valorização e a divulgação da cultura indígena, por meio do Parque Temático Indígena, que deverá ser construído no município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) como uma das referências para a Copa do Mundo e após a competição. O governo já trabalha na captação de recursos a fim de realizar a construção daquilo que deverá ser chamado de “Centro de Desenvolvimento Sustentável dos Povos Indígenas”.

Outra meta da Seind é participar do processo de implantação do programa “Casas Digitais em Terras e Comunidades Indígenas", em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e, consequentemente, da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect).
Apresentação do secretário foi feita em slides, durante café da manhã

O PPA da Seind tem quatro linhas de ação e o objetivo é que ele seja inserido num plano macro dentro do governo. Além da gestão ambiental e territorial, a secretaria trabalha na produção sustentável dos povos indígenas, na promoção dos direitos socioculturais dessas populações e na promoção e proteção dos conhecimentos tradicionais de cada uma. 

Todas as ações previstas no PPA estão na pauta da primeira reunião do Conselho Estadual dos Povos Indigenas (Cepi), prevista para o próximo mês de setembro, com a participação das lideranças de organizações indígenas do estado do Amazonas. “O conselho terá o papel de colocar em ordem de prioridade as ações da Seind, para podermos alcançar as metas e objetivos nos próximos quatro anos do PPA, acompanhado e monitorado pelo Comitê Gestor Interinstitucional, sob a coordenação da Seind”, explicou titular do órgão, Bonifácio José Baniwa, que apresentou os temas aos jornalistas por meio de slides.

Bonifácio enalteceu o momento histórico que começou em 2001 com a extinta Fundação Estadual dos Povos Indígenas (Fepi) e continua com a Seind – a primeira secretaria indígena do País criada por lei governamental. “O nosso PPA está bem adiantado, mas não está fechado. Ainda teremos essa reunião com as organizações indígenas para melhorar a sua apresentação”, justificou. “É um processo de construção de políticas que começou durante o governo de Eduardo Braga e avança com Omar Aziz”, destacou.

A política de governo direcionada aos indígenas está fundamentada na declaração das Nações Unidas, na Convenção número 169 da Constituição Federal de 1988, como instrumentos norteadores das políticas do Governo do Estado junto aos povos indígenas, por meio da Seind, que possibilitam a realização de programas, projetos, ações e atividades desenvolvidas pelos povos e organizações Indígenas do Amazonas.
Após apresentação, os jornalistas entrevistaram o secretário
Etnodesenvolvimento
Os dez anos de participação indígena no Governo do Amazonas tem como base a formulação, execução e implementação da política de etnodesenvolvimento, em que as comunidades indígenas devem ser gestoras de seu próprio desenvolvimento. “É uma política definida com os povos indígenas e não para os povos indígenas”, observa Bonifácio José. “É que no etnodesenvolvimento não se leva somente em consideração suas opiniões, aspirações e interesses num processo de inclusão e participação, mas que são os povos indígenas e unicamente eles que devem decidir sobre o seu destino histórico e o governo apóia tecnicamente e financeiramente decisão do tipo de projeto a ser desenvolvido”. 

De acordo com o secretário, a formulação, execução e implementação efetiva de programas e projetos na perspectiva do etnodesenvolvimento exige uma completa atenção das políticas frente atuais modelos assistencialistas, para que cada vez se efetive a política de etnodesenvolvimento.


Balanço
Antes de apresentar as projeções para os próximos anos, Bonifácio avaliou a evolução histórica da política pública destinada aos indígenas. “Apesar do orçamento pequeno, o governo tem investido muito em programas como a formação de professores indígenas, por exemplo”, destacou o secretário. “Em dez anos de institucionalização e participação no governo, estamos cada vez mais politizados e cada vez mais democratizamos a política do Estado junto aos povos indígenas”. disse.

Educação
Uma das principais referências da conquista de espaço dos indígenas no meio da sociedade é a tukano Alva Rosa, 36. Natural de São Gabriel Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus), ela é formada em matemática e trabalha com educação há mais de 15 anos. Em 2009, Alva foi eleita gerente de Educação Escolar Indígena da Seduc, após concorrer com cinco outras indígenas em todo do Estado. “Temos o programa Pirayawara, que forma professores desde 1999”, destacou Alva, que prestigiou o evento desta segunda-feira na Seind, ao lado do também indígena Orlandino Baré, da Secretaria de Estado de Prudução Rural (Sepror). “São 1.135 professores em formação, 570 formados em nível médio e 481 dando aula no estado”, enumerou.

A meta, segunda Alva Rosa, é ampliar o número de professores com curso superior e pós-graduação; realização de concursos públicos e construção de novas escolas. “Temos 20 escolas em todo o Amazonas, mas a previsão é de que mais 30 sejam erguidas. Estas já estão em fase de licitação”, informou. 
Alva Rosa Tukano (à esquerda) prestigiou evento, ao lado da chefe de Gabinete da Seind, Ozente Mozzi (ao centro), e da técnica do órgão, Rosa dos Anjos


Conheça um pouco das políticas em implementação e discussão em prol dos povos indígenas:

Educação por meio da Seduc e UEA – Vinte e seis escolas de ensino médio em terras indigenas, Formação de Professores, Cotas de Estudantes, Curso superior especifico, Curso intercultural.
Saúde - Combate a Malária por meio da Susam/FVS, Unidade de saúde, Hospitais da Capital.
Programa de Pesquisa Seind e Inpa - Óleos Vegetais, Pescado, Turismo, Saúde, Artesanato, Educação
Pesquisa  por meio da Sect e Fapeam  - Programa de Apoio a Iniciação Científica (Paic).        
Credito e Financiamento por meio da Afeam - Artesão, Pescador, Pequeno Comerciante, Agricultor.
Fundo de apoio a organizações indígenas, por meio do FPS - Centro de Comercialização, Transporte, Casas de Farinha.
Atenção Social por meio da Seas  - Documentos básicos, programas sociais.
Território da Cidadania com apoio do MDA – Dez projetos. 
Organização da Cadeia  Produtiva de Castanha com apoio FPS – Cinco projetos.
Projeto de Manejo de Pescado - Juatai e São Paulo de Olivença.
Projeto de Arranjo Produtivo de Artesanato com apoio do MI, MDA - Alto Solimões, Javari, Médio Purus.
Valorização de Cultura com apoio do SEC, Sejel, Seduc, Afeam, Caixa, Suframa, BB, Inpa e UEA - Semana dos Povos Indigenas, Copa Indígena, Jogos Indigenas, Conferências de Pajés, Conhecimento Tradicional e Propriedade Intelectual.
Capacitação em parceria com Cetam, Sebrae e Senar - Técnica de plantio, criação de pequenos animais, elaboração de projetos.
Programa Regionais de Desenvolvimento Sustentável por meio DRS BB – Artesanato.
Fortalecimento de organizações Indigenas com apoio de varias secretarias - Reuniões, assembleias, encontros temáticos, seminários, assessoria jurídica para criação de associações...
Projeto Lapidart em parceria com Sect e Ifam - Trabalhar com gema de pedras semipreciosas.
Cooperação para apoio Jurídico com DPU,DPF,DPE - Todas as sextas-feiras, atendimento na sede da Seind.
Termos de Cooperações – Doze cooperações.
Participações nos Conselhos e instancia de discussões e deliberações - Meio ambiente, Educação, Saúde.


Propostas contempladas nas quatro linhas de ação constantes no PPA da Seind para 2012-2015:

Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas;
Produção Sustentável dos Povos Indígenas;
Promoção de Direitos Socioculturais dos Povos Indígenas;
Promoção e Proteção dos Conhecimentos Tradicionais dos Povos Indígenas.


Sugestões e propostas para trabalhar nos próximos quatro anos de Governo:

Elevação do Conselho de Educação Escolar Indígena a Instância Consultiva e Deliberativa, hoje caminhando para se tornar Conselho Normativo;
Lei de etnodesenvolvimento indígena;
Política de gestão ambiental e territorial das terras Indígenas;
Comercialização de produtos das terras indígenas no Mercado Nacional, Extrativismo Mineral e Energia Alternativa Comunitária;
Efetivação da Valorização e Divulgação da Cultura Indígena por meio do Parque temático Indígena a ser construído no município de Iranduba;
Aquisição de sede própria para Seind.
    



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Governo do Amazonas prestigia encontro pan-amazônico de indígenas na capital amazonense


Secretário da Seind, Bonifácio José Baniwa representou o governador no encontro
Por: Isaac Júnior 

Centenas de Lideranças Indígenas dos países que formam a Amazônia Legal começaram a participar nesta segunda-feira, dia 15, em Manaus, do Grande Encontro Pan-Amazônico – Saberes Ancestrais, Povos e Vida Plena em Harmonia com a Floresta. A abertura do evento foi no auditório Deputado Belarmino Lins, da Assembleia Legislativa do Amazonas. Em debate, o posicionamento político dos indígenas frente a questões como mudanças climáticas, Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), mercado de carbono, repartição de benefícios sobre recursos genéticos e saberes tradicionais.

Até a próxima sexta-feira, o objetivo dos indígenas é fazer um diálogo junto aos movimentos ambientalistas e instituições sociais nacionais e internacionais, com o objetivo de construir uma alternativa a sobrevivência da Floresta e de todas as formas de vida do planeta.

O Governo do Amazonas foi representado no evento pelo secretário de Estado para os Povos Indígenas, Bonifácio José Baniwa, que destacou a participação do executivo estadual nas políticas em benefício dessas populações. “A Seind representa o compromisso do Governo do Estado com os Povos Indígenas do Amazonas e, nesse propósito, vem atuado na formulação, execução e implementação de políticas de etnodesenvolvimento, em um constante exercício de valorização e preservação dos valores culturais e históricos indígenas”, destacou.

Bonifácio enalteceu a realização do encontro e lembrou que o Governo do Amazonas tem imprimido uma série de ações públicas envolvendo as comunidades indígenas, que participam de maneira efetiva da elaboração de políticas dos interesses indígenas.

O evento é organizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). As lideranças indígenas representam organizações de referência como Aidesep (Peru), Cidob (Bolívia), Opiac (Colômbia), Confeniae (Equador), Orpia (Venezuela), APA (Guiana), OIS (Suriname) e Foag (Guiana Francesa).              
Na abertura da solenidade, o titular da Coica, Edwin Vasquez, enumerou alguns problemas que atormentam os indígenas. Ele adiantou que as discussões não vão ficar apenas neste encontro. “Não será o primeiro grande encontro. Teremos o segundo, pois a Coica quer apoiar as questões que envolvem os irmãos do Peru, apoiar os irmãos indígenas do Brasil na questão de Belo Monte e outros”, afirmou.É um momento único para discutirmos o futuro do movimento indígena”, acrescentou o coordenador da Coiab, Marcos Apurinã, que declarou aberta as atividades.

Para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Nicolau, o debate não tem que ser feito em apenas um dia. “É preciso discutir problemas sérios como a saúde indígena, que tem as hepatites b e c contaminando nossos indígenas”, observou. “A Assembleia se coloca a disposição para discutir, debater, para que o Amazonas tenha políticas que possam beneficiar essas comunidades.

A abertura do encontro também teve a participação do deputado Sidney Leite, que é presidente da Comissão de Educação e Cultura da Aleam; e do assessor da Fundação Nacional do Índio (Funai), Francisco Piyãko.

Raoni
Embaixador internacional da luta pela preservação da floresta e dos povos amazônicos, o cacique Raoni Kaiapó fez críticas duras ao projeto que cria a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingú, no Pará. “Hoje,  o não indígena faz  de tudo para tirar a força da gente, quando ele começa a fazer barragem”, criticou. “Mas eu vou lutar até o fim por todos os povos indígenas do Brasil”, completou.
Cacique Raoni criticou barragem construída em Belo Monte, no Pará


Música
Entre as atrações culturais, a cantora indígena Djuena Tikuna interpretou o Hino Nacional brasileiro na língua nativa dela e um trio de indígenas do Suriname conseguiu mexer com o público presente, com muita música tradicional daquele país. Em meio a alegria, eles pediram um minuto de silêncio em prol da mãe terra.

Os trabalhos propriamente ditos começaram à tarde, no hotel Taj Mahal (Centro de Manaus), com o painel “Saberes Ancestrais, Povos e Vida Plena em Harmonia com a Floresta”. As atividades prosseguem no mesmo local até o encerramento do encontro.
Indígenas do Suriname contagiaram alguns presentes com música tradicional


Números
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a  população indígena brasileira representa 0,42 população do País, com 11% de crescimento em relação ao ano de 2010. Os últimos dados registraram 817 mil indígenas no Brasil, distribuídos em 230 povos, entre os quais 55 encontram-se isolados. No Amazonas, são 168 mil indígenas espalhados em 178 terras, que representam 30% de território do Estado do Amazonas, representando 64 povos distintos, falantes de 29 línguas.
Servidores da Seind e outras pessoas registraram momento histórico ao lado do cacique Raoni

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Indígenas de Manaus vão ter aulas de inglês para a Copa de 2014


Mara Kambeba fala em nome dos indígenas na reunião realizada na Seind. Foto: Isaac Júnior


Vinte indígenas de associações representativas desses povos em Manaus vão poder se capacitar na língua inglesa com vistas a Copa do Mundo de 2014. A oportunidade foi apresentada nesta sexta-feira, dia 12, aos representantes dessas entidades pela Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind). O curso é gratuito e terá a duração de dois anos. A inserção dos indígenas no Programa de Capacitação em Idiomas faz parte de uma parceria do órgão com a Amazonastur, que prepara o setor turístico do estado para o Mundial. A execução é do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).

A lista com os nomes de quem irá participar será enviada até o fim da próxima semana pela Seind. “As aulas ainda não tem data para começar, mas vai haver uma reunião com todos os envolvidos para definir os próximos passos”, informou o técnico do Departamento de Promoção dos Direitos Indígenas da Seind (Depi), Rafael Costodio Tikuna. “Eles vão levar a proposta para suas associações, porém tem um prazo para nos trazer os nomes”, lembrou Rafael.

O curso é uma demanda das próprias organizações, que tem encontrado dificuldades em comercializar os produtos com o turista estrangeiro, por conta da falta de entendimento da língua inglesa.

O problema é enfrentado todos os dias por pessoas como Jomara Araci Dessana, que é coordenadora da Associação dos Artesãos Indígenas Residentes em Manaus (Airm). A entidade tem 25 associados, sendo que dez deles deverão ser indicados para o curso. “Vai ajudar muito a gente, porque representa a comunicação com o turista”, observou. “A gente perde muitas vezes de vender por não falarmos inglês”, justificou.

Quem também não vai perder a chance de se capacitar é o artista plástico e radialista Francisco Kokama. Ele consegue amenizar alguns prejuízos ao se comunicar em espanhol com os turistas, mas alega que o inglês é fundamental para quem ainda luta por oportunidades entre os não indígenas. “Eu entendo um pouco do espanhol, mas preciso da outra língua para escoamento e venda dos protudos”, afirmou Francisco, que também é presidente da Associação dos Artistas Indígenas de Manaus Amazônia Viva, localizada no bairro Grande Vitória, Zona Leste. Quinze pessoas deverão concorrer a vaga, das 50 famílias cadastradas na organização, segundo o indígena.   

Apresentadora do programa “A Voz dos Povos Indígenas”, da rádio comunitária do bairro Amazonino Mendes (Mutirão), na Zona Norte, Idete Sateré observou que o curso também poderá ajudá-la na comunicação diária com os ouvintes. “Nossa freqüência é a 87.9 FM e chega não somente na Zona Norte, mas na Leste, em parte do Centro e até em Rio Preto da Eva”, enumerou.

Em tom de colaboração, Pedro Sateré aproveitou a reunião para sugerir que, a exemplo do inglês, o estado também possa ministrar cursos de idiomas indígenas, exclusivamente para os não indígenas. “Seria legal se o turista também pudesse falar com a gente em sateré, tikuna e outras línguas”, argumentou.        

Outros cursos
Durante a reunião na sede da Seind, cada representante das organizações também teve a oportunidade de conhecer uma lista de cursos técnicos profissionalizantes oferecidos pelo Cetam, totalmente gratuitos. De acordo com Rafael Tikuna, todos servem de oportunidades na obtenção de novos conhecimentos para utilização no dia a dia das comunidades indígenas. “A Seind faz a ponte, mas a lista também pode ser entregue diretamente ao Cetan pela organização, desde que ela esteja regularizada”, esclareceu.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Seind apresenta proposta para funcionamento de Comitê Gestor


Secretário Bonifácio na reunião com parceiros no Comitê Gestor. Fotos: Vívian Azevedo e Valdete Araújo

Por: Isaac Júnior
A proposta de funcionamento do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi apresentada nesta terça-feira, dia 9, pela Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind). O objetivo é incluir ações e atividades planejadas dentro do Plano Plurianual do Executivo (PPA 2012-2015) de cada parceiro, voltadas à população indígena do Amazonas. Foi a primeira reunião de trabalho entre as instituições, desde a instalação do comitê, no dia 6 de julho.

Representantes de vários órgãos estiveram no auditório do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), no Centro da capital amazonense, para começar a definir a estrutura de funcionamento do comitê, além do cronograma de reuniões. A próxima ficou definida para o dia 12 de setembro, possivelmente no mesmo local.

Nesta terça, todos puderam expor as atividades executadas em prol dos indígenas ou que ainda deverão ser realizadas a partir do PPA.

O objetivo do Comitê Gestor é implantar e implementar ações de etnodesenvolvimento nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, manejo de recursos naturais, pesquisa, esporte, cultura, infra-estrutura, fomento e desenvolvimento regional, mediante a consulta prévia,  informada, livre e esclarecida dos povos indígenas, no âmbito do Programa Amazonas Indígena e Programa Proteção e Promoção dos Povos Indígenas.
O comitê tem como presidente o titular da Seind, Bonifácio José Baniwa, e é formado por câmaras técnicas e coordenadores. “Cada câmara constituirá um plano de trabalho”, destacou o secretário. “E depois consolidarão seus planos, construindo um plano macro, como define o Termo de Cooperação Técnica entre Seind e Funai”, acrescentou o secretário adjunto do órgão, José Mário Mura.

A minuta que irá reger o comitê já está em fase de elaboração pelo setor jurídico da Seind e vai ser enviada antes da próxima reunião a todos os membros. Em princípio, a área de atuação vai compreender três grandes eixos: Gestão Territorial/Ambiental das Terras Indígenas, Promoção dos Povos Indígenas do Amazonas e Qualidade de Vida dos Povos Indígenas do Estado.

Linhas de atuação
Entre as principais linhas de atuação propostas para o grupo que estará à frente do eixo/câmara técnica da Gestão Territorial estão o controle, monitoramento e fiscalização das Terras Indígenas; Planos de Gestão Territorial; Mudanças Climáticas; REED+; Território da Cidadania; Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE); manejo florestal sustentável; recuperação de áreas desmatadas; manejo pesqueiro sustentável.

No outro eixo seria trabalhada promoção e a valorização da cultura;  promoção e proteção dos conhecimentos tradicionais e combate a biopirataria; pesquisa; fomento a projetos socioeconômicos; crédito e financiamento; turismo; preparação dos indígenas para a copa do Mundo; projeto Parque Temático; certificação e  comercialização de produtos; turismo; preparação dos Indígenas para a Copa de 2014, inclusive com a criação de um Parque Temático; ciência e tecnologia, entre outros.

Para a melhoria da qualidade de vida, o trabalho seria concentrado na documentação; benefícios sociais e previdenciários; direitos humanos e cidadania; apoio a indígenas em situação de risco; segurança alimentar e nutricional; saúde; educação; combate e prevenção ao uso de álcool e outras drogas; violência; prostituição e doenças diversas; segurança publica; qualificação profissional e capacitações; assistência jurídica; habitação; esporte e lazer;
fortalecimento das organizações indígenas; programa de atenção a mulheres, crianças, idosos, portadores de deficiências e indígenas no contexto urbano.

Sujeito a alterações
Todas as propostas serão encaminhadas para análise e possíveis mudanças por parte dos parceiros. “A gente pensou esse planejamento, mas vocês podem ver algo mais que não vimos para ser inserido”, observou a assessora de Gestão e Planejamento da Seind, Dorotéa Rebouças. “A gente encaminha para que possam estudar melhor”, acrescentou Bonifácio José.

Secretário adjunto da Seind, José Mário falou das propostas para comitê

Conquista
Para o secretário extraordinário da Segov, Hamilton Gadelha, o empenho de cada parceiro será importante para que a finalidade do Comitê Gestor seja concretizada. “Se cada secretaria pudesse garantir ao menos duas grandes atuações em seus PPAs, já seria uma conquista gigantesca”, disse.

Sinergia
O titular da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcos Apurinã, resumiu o comitê como uma sinergia transmitida aos indígenas pelo Governo do Amazonas. “Parabenizo pelo trabalho, pela sinergia transmitida, mas queria reforçar que cada instituição vista a camisa do movimento indígena também, pois ainda não podemos fazer o ecoturismo e mexer nos recursos naturais”, comparou, em referência a projetos da Seind na área de turismo e mineração, que ainda não foram executados, por conta da legislação.

Apurinã aproveitou a reunião para convidar a todos para o Grande Encontro Pan-Amazônico, que será realizado entre os dias 15 e 18 deste mês, em Manaus.

Coordenador da Coiab, Marcos Apurinã elogiou a iniciativa do Governo do Amazonas
Avanços
A maioria dos parceiros confirmou que já incluiu ações voltadas para os indígenas dentro de seus PPAs. É o caso do Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas (Proderam), que, em parceria com a Seind, atende a indígenas de nove municípios do Alto Solimões, com a execução de quatro projetos de manejo recursos pesqueiros e capacitação de comunidades. “Temos projeto de castanha em Amaturá e trabalhamos em parceria com o Inpa no projeto Éware 1 e Éware 2, em São Paulo de Olivença”, explicou o sub coordenador, Geraldo Couto. “Na região de Tabatinga, em Mariaçu, e em Atalaia do Norte temos os centros culturais que estão em fase de elaboração”, acrescentou.

A Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect) possui três ações que são desenvolvidas de forma conjunta com ministérios, que começam a surtir efeito: o das “Casas Digitais” (com o Ministério de Desenvolvimento Agrário), o programa de Telecentros (com o Ministério das Comunicações) e o de formação em recursos humanos e licenciatura na área indígena (com o Ministério da Educação). “Os dois primeiros já são trabalhados em parceria com a Seind e farão parte do PPA 2012-2015”, informou a chefe do Departamento de Promoção dos Direitos Indígenas (Depi), da Seind, Rose Meire Barbosa.
Gerente Bruno Monteiro expôs sobre o papel do Sipam e uma possível cooperação com a Seind