Professor Mateus está empenhado em ajudar comunidades indígenas. Fotos: Divulgação/Seind |
Com apoio do Governo do Amazonas, por meio da
Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), comunidades indígenas começam
a se mobilizar para fazer com que as línguas indígenas sejam incluídas no
currículo escolar dos municípios. O objetivo é valorizar o patrimônio cultural e
fortalecer as próprias organizações e comunidades indígenas, em concordância
com a legislação de educação em vigor.
Nesse sentido, a Associação das Mulheres Indígenas
Sateré-Mawé (Amism) trouxe a Manaus o professor indígena multidisciplinar Mateus
de Oliveira Moi, 41, que leciona há 19 anos e atua no movimento de revitalização
da língua e práticas culturais do povo Sateré-Mawé na região do rio Marau, em Maués
(a 267 quilômetros da capital amazonense), há nove anos.
Acompanhado da coordenadora da Amism, Sônia Vilacio
Sateré, Mateus esteve nesta sexta-feira (26) na Seind para reforçar o apoio e
segue neste sábado para o município de Manaquiri (a 65 quilômetros de Manaus),
onde irá compartilhar a experiência.
A promoção e valorização da cultura, língua e dos
conhecimentos tradicionais estão entre os objetivos da câmara técnica “Promoção
dos Povos Indígenas do Amazonas, do Comitê de Atuação Integrada entre o Governo
do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai).
Para o professor, o intercâmbio vai ajudar as
comunidades a lutar para manter viva a cultura indígena. “Atualmente nossos
jovens estão esquecendo a língua, o artesanato, as danças, costumes e cultura
em geral. Nossa ida lá é uma forma de lutar contra isso”, resumiu Mateus. “A
própria comunidade em Manaquiri solicitou um professor indígena e nós fizemos o
contato, portanto ele segue sábado para a aldeia Warana, que fica uns 20
minutos de carro da sede”, informou Sônia Vilacio.
Livro
No Amazonas, a língua Sateré-Mawé já é trabalhada em
escolas de aldeias de Maués, Barreirinha e Parintins. Um dos frutos desse
trabalho é o livro
(Gramática Sateré Mawé, que foi publicado em
2005 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado do Amazonas (Fapeam).

Professor Mateus e Sônia Vilacio mostram gramática indígena |
Produzido por 12 professores e 12
colaboradores sateré-mawé, dos rios Andirá (Barreirinha) e Marau (Maués), o
livro é resultado do projeto de pesquisa-ação “Elaboração de uma Gramática
Pedagógica Sateré-Mawé”, desenvolvida e coordenada por Dulce do Carmo
Franceschini, que é pesquisadora e professora da Ufam.
Os dois principais capítulos tratam
da questão ortográfica e das classes de palavras.
O objetivo da gramática é oferecer
a valorização e o fortalecimento da língua Sateré-Mawé, principalmente no
contexto escolar, servindo de apoio ao professor de língua materna. O livro
pode ser adquirido no na sede da Organização dos Professores Indígenas do
Andirá (Opism).
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