Indígenas têm espaço exclusivo para eles, pela primeira vez, na Ponta Negra. Fotos: Ascom/Seind |
Por: Isaac Júnior
Apesar da chuva de domingo (dia 21) à
noite, que praticamente impossibilitou a realização de qualquer atividade no
calçadão da Ponta Negra, a “Feira de Exposição e Comercialização de Produtos
Indígenas” teve um saldo positivo, durante os dois dias de participação na terceira
edição do Abril Cultural Indígena. A avaliação é da Secretaria de Estado para
os Povos Indígenas (Seind) e dos próprios artesãos, com base no fato de que, em
toda a história da Ponta Negra, esta foi a primeira vez que os indígenas
tiveram um espaço exclusivo para que expusessem seus produtos no local.
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Produtos em exposição na feira indígena armada durante dois dias |
Onze organizações e três empreendedores
indígenas de Manaus e do entorno da capital amazonense se inscreveram na feira,
mas apenas nove participaram até o final do evento, que foi organizado pelo
Governo do Amazonas, por meio da Seind, com o apoio da Prefeitura Municipal de
Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Desenvolvimento Social
(Semtrad). “Foi a oportunidade que eles tiveram de promover a cultura e
proporcionar desenvolvimento socioeconômico”, definiu a chefe do Departamento
de Promoção dos Povos Indígenas (Depi), Rose Meire Barbosa. "Quero destacar o empenho da equipe do Depi, que se empenhou ao máximo para fazer com que a feira tivesse sucesso", acrescentou.
Mais produtos da exposição |
De acordo com Jaime Dessano, 38, e
Sônia Vilacio, 39, ambos da Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé
(Amism), a presença indígena na feira serviu para manter viva a identidade dos
povos indígenas. “Estamos aqui para representar nossa existência e insistência por
nosso espaço na sociedade”, resumiu Sônia. “Vendendo ou não, mantemos nossa
identidade e, ao mesmo tempo, fortalecemos a política cultural, o que é uma
forma de motivar a Seind a buscar novas parcerias com instituições que
trabalham e valorizam os povos indígenas”, acrescentou Jaime, que é de São
Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus) e mora há 17 anos em Manaus.
Jaime Dessano destaca a identidade dos povos indígenas no local |
Faturamento
Por volta das 20h de domingo (momento
em que chovia forte em Manaus), as organizações presentes ao calçadão da Ponta
Negra contabilizavam um faturamento de R$ 2,2 mil. Destaque para as barracas de
Jamara Araci, 39, do povo Dessano, e Maria do Carmo, 49, que é coordenadora da
Associação da Comunidade Indígena Wanano (ACIWC). Cada uma havia vendido pouco
mais de R$ 400, nos dois dias de feira.
Visitante fica impressionada com a qualidade do material apresentado |
Ligada à Associação dos Artesãos Indígenas
Residentes em Manaus (AAIRM), Jamara vendeu
pulseiras, brincos colares e aneis.
Barraca de Jamara Araci (à direita) é uma das mais frequentadas |
Já Maria do Carmo apresentou um
número considerável de artesanatos. O material é produzido por 22 indígenas
associados à ACIWK. Homens e mulheres (de todas as idades) do bairro Nova
Floresta, Zona Leste, estão entre os beneficiados. O trabalho é feito à base de
tecelagem, trançado (cestaria), bolsas de fibra de tucum, vime, brumas e barro
(cerâmica), madeiras e sementes.
De pai para filho
Questionada se teria clientes para
tanto material, Maria do Carmo informou que o público alvo é o turista. “As
pessoas que vêm de outros estados são as que mais procuram nossos produtos e até
entram em contato para comprar no varejo e no atacado”, explicou a indígena,
que trabalha no ramo desde os oito anos de idade e faz questão de dizer que a
cultura é passada de pai para filho. “Para manter nossa cultura tradicional, além
do artesanato, nós trabalhamos com roça, falamos a língua nativa e ainda somos
parceiras de organizações como a dos indígenas Yanomami do alto rio Negro e dos
Tikuna do alto Solimões”, disse Maria do Carmo.
Maria do Carmo (à esquerda) trabalha desde os oito anos e leva para a feira o que tem de melhor para oferecer ao público |
Integração
Em uma ação da câmara técnica “Promoção
dos Povos Indígenas do Amazonas”, por meio do Comitê de Atuação Integrada entre
o Governo do Estado e a Fundação Nacional do Índio (Funai), a terceira edição
do Abril Cultural Indígena começou na sexta-feira (dia 19), no 1º Batalhão de
Infantaria de Selva (1º. BIS). A solenidade foi realizada em conjunto entre o
Governo do Amazonas e o Comando Militar da Amazônia (CMA).
No mesmo dia, os indígenas
participaram das competições esportivas, que foram realizadas durante todo o
dia no local, sob a coordenação da Seind, com apoio do CMA e da Secretaria de
Estado do Desporto, Juventude e Lazer (Sejel).
A feira de artesanato começou no
sábado pela manhã e entrou pela noite, na Ponta Negra. Na ocasião, foram
realizadas as comemorações alusivas ao Dia do Índio e ao Dia do Exército
Brasileiro.
No domingo (21), a feira prosseguiu
até aonde a chuva deixou, encerrando as atividades do Abril Cultural em Manaus.
O evento continua no interior do Estado até o dia 1º. de maio.
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Participantes dos
dois dias de feira na Ponta Negra
· Associação de
Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarn);
· Associação das
Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (Amism);
· Organização das
Mulheres Indígenas Sateré-Mawé de Manaus (Omism);
· Associação dos
Artesãos Indígenas Residentes em Manaus (AAIRM);
· Associação da
Comunidade Indígena Wanano (ACIWC);
· Conselho Indígena
Inhãa-Bé;
· Bernadete Brito (Tariana);
· José Tikuna;
· Eraldo Tikuna.
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3º Abril Cultural
Indígena
Interior do
Amazonas
DATA
|
LOCAL
|
ATIVIDADE
|
20 a 22/04
|
Terra Indígena
Kwatá Laranjal, em Borba
|
Festival Cultural
e Esportivo do Povo Munduruku.
|
27 e 28/04
|
Entorno de Manaus
|
Semana do Índio
na Comunidade Livramento.
|
27/04 a 1/05
|
Belém do
Solimões, em Tabatinga
|
3º Festival
Indígena Eware.
|
Fonte: Seind
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