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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Primeira etapa de projeto apoiado pela Seind é concluída no rio Negro


Território da Cidadania em municípios do rio Negro. Fotos: Divulgação/Premiar Eventos e Consultorias


Várias comunidades indígenas do rio Negro foram beneficiadas este ano, no Amazonas, com o fortalecimento das cadeias produtivas do artesanato, extrativismo e pesca. Lideranças de povos como Tukano, Baniwa, Baré e Piratapuya receberam apoio técnico para desenvolver potencialidades nessas áreas e em outras como o turismo, com atividades que vão desde a realização de oficinas, ao acompanhamento do processo de escoamento e comercialização dos produtos indígenas.

O apoio às ações territoriais é desenvolvido pelo projeto Território da Cidadania Indígena do Rio Negro, que é executado pela Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) e parceiros, por meio do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai). 

Lançado em 2008 pelo Governo Federal, o programa Territórios da Cidadania é desenvolvido com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O  objetivo é promover o desenvolvimento econômico e sustentável de populações como os povos indígenas.

O Território da Cidadania Indígena do Rio Negro abrange uma área de 295 mil quilômetros quadrados e é composto pelos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus). Uma empresa foi contratada pela Seind para a execução do projeto naquela região do Estado.

A população total é de 80 mil habitantes, dos quais 49 mil (61,87%) vivem na área rural. Os números são do MDA, que aponta ainda a existência de quase 3 mil agricultores familiares, sendo 54 famílias assentadas e 12 terras indígenas.

Dez oficinas
Nessa primeira etapa, o projeto priorizou a realização de uma série de oficinas (dez no total), cujo objetivo foi fazer o diagnóstico sobre o potencial produtivo dos beneficiários. Na comunidade Fonte Boa, por exemplo, localizada em São Gabriel e onde vivem 32 famílias, os indígenas solicitaram a construção de uma casa de farinha comunitária; abertura de um ramal; capacitação rural e aquisição de um barco (voadeira) para dar suporte ao turismo na localidade.
  
Lá, o trabalho abrange produtos como o açaí, piaçava, seringa, cipó titica e sorva (extrativismo); mandioca, banana, açaí cultivado, abacaxi, cana, macaxeira, pupunha e cará (agricultura); barragens para criação de tambaqui, matrinxã, peixes nativos e tilápia (piscicultura); visitação para conhecimento da cultura (turismo) e confecção de tipiti, remo, vassouras, arco e flecha, balaio, bancos, abanos e outros (artesanato).  

Equipamentos
Até o fim deste ano está prevista a entrega de um automóvel do tipo pick-up em Barcelos, uma retroescavadeira em Santa Isabel e um ônibus em São Gabriel.
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Comunidades Beneficiadas
AL-
DEIA
MORA-
DORES/
LOCAL
POTEN-
CIAL
PRO-
POSTA
Assenta-
mento Theotônio Ferreira
    55
Assenta-
dos (São Gabriel da Cachoei-
ra
Roça, milho, macaxei-
ra, banana, cupuaçu, açaí; criação de tamba-
qui, aracu.

Conclu-
são de 
estrada e ramais; melhorias e manutenção das vias de acesso; elaboração 
de uma 
agenda 
técnica 
rural aos produtores 
e outros.
Cabari
     22 famílias
(134 pessoas) -São Gabriel da Cachoei-
ra
Roça, maca-
xeira, cará, cana, banana, cucura; açaí; criação de tambaqui e tilápia); artesana-
tos para ativida-
des tradicio-
nais; turismo.
Abertura 
de um ramal para traslado 
e escoamento;
construção 
de uma casa de farinha comunitária, implantação 
de sistema 
de criação 
de peixes 
em tanques redes e 
outros.
Fonte Boa
     32 famílias (178 pessoas) -São Gabriel da Cachoei-
ra
Açaí, piaçava, seringa, cipó titica, sorva; mandio-
ca, banana, açaí e outros.

Capacitação rural e turís-
tica aos comunitá-
rios; aquisi-
ção de uma voadeira para suporte ao turismo e outros.
São Jorge
     22 famílias
(134 pessoas) -São Gabriel da Cachoei-
ra
Açaí; roça, macaxei-
ra, cará, cana, banana, cucura; criação 
de (tamba-
qui) e outros
Abertura de um ramal para traslado e escoamento;
construção de uma casa de farinha comunitária e outros.
Santo Antônio
     13 famílias (60 pessoas) - Rodovia BR 307 – Cucuí (quilôme-
tro 14)
Açaí; roça, banana, cucura, cubiu e pimenta; criação de tambaqui e tilápia em poços para consu-mo.
Melhorias com máquinas das unidades de criação de peixes em igarapés; aquisição de meio de transporte para escoamento de produtos e outros.
Campina do Rio Preto
   
Santa Isabel do Rio Negro
Piaçava; roça, banana, macaxei-
ra; visitação comuni-tária.
Aquisição de ferramentas para otimizar os tratos e transporte da produção e outros.
Ilha do Chile
     25 famílias (128 pessoas) -Santa Isabel do Rio Negro
Açaí; roça, macaxei-
ra, cará, cana, banana, cucura; criação em canal de igarapé tipo barragem e outros.
Aquisição de ferramentas para otimizar os tratos e transporte da produção; construção de uma casa de farinha.
Diversas
     40 famílias - Barcelos
(Baré, Dessana, Piratapuya, Tukano, Potiguar, Macuxi, Wapixana, Urubu Tapuia, Tariano e Baniwa)
Roça, macaxei-
ra, cará, cana, banana; visitação comuni-
tária e outros
Revitalização da casa de farinha; aquisição de
ferramentas para otimizar os tratos e transporte da produção.
Diversas
    16 famílias - Barcelos

(Baré, Dessana, Piratapuya, Baniwa, Caxinauá, Tukano)

Roça, macaxei-
ra, cará, cana, banana e outros.
Revitalização da casa de farinha; aquisição de
ferramentas para otimizar os tratos e transporte da produção e outros.
Diversas
34 famílias - Barcelos

(Baré, Tukano)
Açaí e castanha; roça, macaxeira, cará, cana, banana; visitação comuni-tária; produtos artesa-
nais.
Aquisição de
ferramentas para otimizar os tratos e transporte da produção e outros; construção de uma casa de farinha comunitária.
Fonte: Premiar Eventos e Consultorias/Seind

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Dois filhos de Francisca disputam prova em Manaus



Marcos Antônio Mura e João Marcos Mura enfrentaram maratona para chegar a Manaus, mas dizem que estão preparados para correr e ganhar. Foto: Isaac Júnior (Ascom/Seind)




MANAUS – A segunda edição da Corridinha Henrique Archer Pinto terá uma atração especial. A corrida infantil marcada para este sábado (20) vai contar com a participação de duas crianças indígenas: Marcos Antônio Mura, de 12 anos, e João Marcos Mura, de 10 anos. Eles encararam uma dura viagem de Humaitá para vencer barreiras e realizar o sonho de disputar a principal corrida pedestre da Região Norte.
Marcos Antônio e João Marcos fazem parte de uma família de 10 irmãos que vive no município de Humaitá (a 600 quilômetros de Manaus). Eles fazem parte da etnia Mura, que ocupa vastas áreas no complexo hídrico dos rios Amazonas, Madeira e Purus. Acompanhados pela mãe, Francisca Marques Mura, os meninos encararam uma verdadeira maratona na viagem até a capital amazonense.

Longa viagem
“Foi uma viagem sofrida. Uma aventura que só eu mesmo para encarar”. É desta forma que Francisca inicia a conversa com a reportagem do Portal Amazônia. Sair de Humaitá para Manaus não foi uma tarefa fácil. A família percorreu a BR-319, que liga as cidades de Manaus e Porto Velho, de carona. A viagem durou cerca de dois dias.

Francisca e os dois filhos viajaram em uma caminhonete ‘pau de arara’ com outras três pessoas. “Dormimos amontoados igual porcos”, contextualiza a mãe. Mas o aperto não foi a única dificuldade. “A estrada é horrível, cheia de buracos. Você olha pro lado e vê mato, olha pro outro e também só tem mato. Nós sofremos demais, passamos muito mal. Viemos na cara e na coragem. Mas o importante é que nós chegamos. Eles queriam vir de qualquer jeito e por eles eu faço qualquer coisa”, afirmou.

Por conta da capacidade pequena da caminhonete, um outro ‘corredor’ da família teve de ficar em Humaitá. Antônio Marcos Mura, de 11 anos, não conseguiu viajar para a disputa da Archer Pinto. Desde cedo os três irmãos mostram talento para a corrida. Em Humaitá, eles disputaram a Corrida Duque de Caxias no último dia 31 de agosto e ocuparam as três primeiras colocações da prova. O título ficou com o mais velho, Marcos Antônio.

Dois filhos de Francisca
Francisca orgulha-se do talento dos filhos e acredita em um bom desempenho na Corridinha Henrique Archer Pinto, ainda que a prova infantil não tenha caráter competitivo. “Eles estão muito confiantes e eu acredito neles”, disse.

Francisca e os filhos nunca haviam pisado em Manaus. A mãe ficou impressionada com a beleza da cidade. 

“É muito bonita. A temperatura aqui é mais quente, mas não chega a ser uma dificuldade. Pena que eu não conheço e não sei andar na cidade, mas pelo pouco que andei é muito linda”. Os três indígenas estão hospedados em Manaus na casa da mesma família que os transportaram para a capital.

Apesar da felicidade em disputar a Archer Pinto (uma corrida “muito bem falada”, como define Francisca), a vida da família indígena em Humaitá não é nada fácil. Francisca alega sofrer discriminação no município por conta do Caso Tenharim.

“A gente não é da mesma etnia, mas pelo fato de ser indígena a gente tá pagando pelos outros. Eu tô sofrendo e os meus filhos também. Estamos sendo discriminados, a gente não é bem tratado. Agora podemos andar na rua, mas porque a Força Nacional tá lá, a Polícia Federal também. Nós temos medo de ser atacados. A população atacou tudo. Tacaram fogo na Funai, nas viaturas, nos ônibus que levavam a gente para a cidade. Estamos pagando por uma coisa que a gente não fez”.

Apesar do drama, Francisca valoriza o fato dos filhos representarem os indígenas na competição em Manaus. “Eles vem representando a nossa cidade, a nossa comunidade e o nosso povo. Ainda sofremos muito preconceito, mas nada que deixe o nosso astral pra baixo. Quando a gente pode e quer realizar alguma coisa, não existem dificuldades. É o sonho deles, então eu enfrentei tudo isso pra eles não terem o que reclamar de mim. Todo mundo na comunidade está torcendo por eles aqui”.

Ajuda
Qualquer pessoa que queira ajudar dona Francisca e os filhos no retorno para o retorno a Humaitá, pode entrar em contato comela pelo número (97) 8105-4262.

Fonte: Portal Amazônia