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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Governo do Amazonas e parceiros capacitam indígenas para gerir o próprio negócio em São Gabriel da Cachoeira



Centro de comercialização é referência dos indígenas no alto rio Negro. Fotos: Divulgação/Seind e Foirn

No período de 20 a 24 deste mês, aproximadamente 25 lideranças indígenas participam da oficina “Plano de Negócio de Gestão do Centro de Comercialização de Produtos Indígenas Wariró”. O evento será realizado em São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus), com o objetivo de capacitar as lideranças locais para que sejam gestores do próprio negócio no empreendimento.

Apesar do número limitado de participantes, o benefício abrange de forma indireta, os 39 mil habitantes do município e, principalmente, a população indígena, estimada em 74% desse total.

O projeto é de 2005 e o centro começou a funcionar há seis anos em São Gabriel, numa parceria do Governo do Amazonas com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), por meio do extinto Conselho Estadual de Desenvolvimento Humano do Amazonas (CDH/AM).  

A oficina será ministrada por técnicos do Sebrae, com apoio da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) e do Instituto Socioambiental (ISA), em atendimento a uma solicitação da própria Foirn. A parceria também envolve a Prefeitura Municipal de São Gabriel, por meio da Secretaria de Produção Rural do município.

“Na primeira oficina, os participantes irão definir os próximos passos e capacitação, como parte do plano de negócio”, informou a técnica do Departamento de Etnodesenvolvimento da Seind (Detno), Rosa dos Anjos.

Para dar continuidade a este plano de negócio, o Sebrae também irá ministrar no período de 27 a 29 deste mês, no mesmo local, as oficinas “Formação de Preços” e “Técnicas de Venda”, além de disponibilizar consultoria para a elaboração do plano.

Todas essas atividades fazem parte da linha de trabalho da câmara técnica Qualidade de Vida dos Povos Indígenas, do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Estado e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Presidente em Manaus
Eleita recentemente como a primeira mulher indígena a presidir uma das principais organizações indígenas do País, Almerinda Ramos esteve esta semana pela primeira vez na Seind, como presidente da Foirn, para fechar os últimos ajustes da oficina e cumprir uma agenda na capital, assessorada pelo órgão.   
Presidente da Foirn, Almerinda Ramos foi recebida pelo secretário Bonifácio José (ao centro) nesta sexta-feira, quando pôde conferir a nova edição do informativo da Seind, intitulado Pusika Puranga (Notícias Boas)

Centro Wariró
Referência na promoção do desenvolvimento sustentável dos povos indígenas no rio Negro, a Casa de Produtos Indígenas Wariró – chefe de uma família Wariroá, segundo a mitologia tradicional dos povos indígenas – comercializa artigos como bolsa de fibras de tucum, cerâmica tukano, pimentas em pó e cestos yanomami. Todos são feitos tradicionalmente, com matérias primas retiradas e processadas de maneira sustentável, respeitando a capacidade de composição da natureza.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Indígenas da Zona Leste de Manaus são inseridos na inclusão digital pelo Governo do Amazonas


Observado por Luciana Reis, do Cetam (de marrom, ao fundo), o vice-coordenador da Associação Comunidade Wotchimaücü, Bernardino Alexandre Pereira, agradece pela realização do curso. Fotos: Depi/Seind

O sonho de poder acessar, manusear e aprender a mexer em programas como Word, Excel, Power Point e Internet começou a virar realidade para 50 indígenas da comunidade Wotchimaücü, na Zona Leste de Manaus. Com idades que variam de 14 a 60 anos, o grupo de alunos participou da aula inaugural do Curso de Informática Básica, nesta segunda-feira (13 de maio), no Centro Cultural dos Tikuna (CCT), situado à rua São Salvador, nº 1.215, no bairro Cidade de Deus. 

O local ficou pequeno para a cerimônia de abertura do curso, que é executado exclusivamente para os indígenas pelo Governo do Amazonas, por meio do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), em parceria com a Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind).
Curso reúne alunos de várias idades, dispostos a aprender sobre informática

Três turmas foram criadas e as aulas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 16h às 18h, 18h às 20h e 20h às 22, no laboratório do 1º Centro de Inclusão Digital Indígena, que foi instalado no local pela Prefeitura Municipal de Manaus em março de 2012. A carga horária é de 80 horas e as aulas prosseguem até 9 de julho.

A aula inaugural teve a participação do titular da Seind, Bonifácio José Baniwa; da gerente de Inclusão Digital do Cetam, Luciana Reis; do vice-coordenador da Associação Comunidade Wotchimaücü (ACW), Bernardino Alexandre Pereira (tikuna); e foi apresentada na língua nativa por Deníziu Tikuna, que é servidor do Departamento de Promoção dos Direitos Indígenas da Seind (Depi) e tradutor oficial do curso.
Secretário Bonifácio José (à esquerda) e o assessor dele na Seind, Darcy Marubo, durante a cerimônia

Mais cursos
No período de março a dezembro de 2012, o Cetam já realizou cursos de Inclusão Digital para indígenas em municípios como Benjamin Constant, Tabatinga e Manacapuru, beneficiando 345 indígenas de vários povos. Até o fim de 2013, a previsão é de que os cursos também atendam aos indígenas em Manicoré (a 333 quilômetros de Manaus).

“É uma parceria importante, que possibilita também a realização de outros cursos como o de Enfermagem e Arrais Amador, por exemplo”, destacou o secretário Bonifácio José. “A Seind está aberta a atender às demandas da comunidade e estará presente na conclusão desse curso em Manaus para a entrega dos certificados”, concluiu.
Cetam e Seind, uma parceria que deu certo

No bairro Cidade de Deus, a realização do curso atende a uma demanda da própria comunidade, solicitada junto à Seind, durante a inauguração do laboratório de informática, em 28 de março de 2012.

Após receber a solicitação, técnicos do Cetam estiveram no órgão no dia 24 de abril de 2013 para acertar os últimos detalhes da atividade. “O objetivo é beneficiar cento e vinte indígenas de forma indireta, o equivalente a vinte famílias”, informou Deníziu Tikuna.
Deníziu Tikuna traduziu a cerimônia na língua nativa

Qualidade de vida
Ao realizar o Curso de Informática Básica destinado exclusivamente aos indígenas e que também conta com uma turma especial (idosos), o Governo do Amazonas cumpre mais uma ação da linha de trabalho da câmara técnica Melhoria de Qualidade de Vida dos Povos Indígenas, integrante do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Indígena amazonense cola grau em Medicina pela UEA e Seind enaltece compromisso com os povos indígenas


Gércia Hermínio, do povo Baré, no instante do juramento. Fotos: Divulgação/Seind

Mais uma indígena beneficiada pelo sistema de cotas consegue concluir um curso superior pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Trata-se de Gércia Hermínio de Albuquerque, 31, do povo Baré e natural de São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus), que colou grau em Medicina nesta segunda-feira (13), na Faculdade de Ciências da Saúde em Manaus.

Gércia já possuía o curso técnico em Enfermagem, mas sentiu a necessidade de fazer Medicina, por conta da rotatividade de médicos e enfermeiros no município.

A colação especial reuniu nove formandos, entre a única indígena da turma e não indígenas de Manaus, Itacoatiara e Manacapuru, que deverão voltar para suas cidades para exercer a função de clínico geral.
Objetivo é retornar ao município onde nasceu para compartilhar conhecimento

A política de Cotas da UEA segue as determinações dispostas na Lei 2.894/2004 e a Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) tem apoiado e orientado os indígenas a participar do processo, inclusive com uma ampla divulgação junto às comunidades. “Com isso, os povos indígenas mostram a capacidade que têm de enfrentar esse tipo de curso, considerado bem difícil, e também o compromisso de retornar à sua comunidade e ao seu povo para compartilhar o que aprenderam”, destacou o secretário da Seind, Bonifácio José Baniwa. 

Entre idas e vindas de Manaus a São Gabriel, Gércia passou sete anos para concluir o curso. Uma das maiores dificuldades foi a perda da mãe. Maria Auxiliadora Velasque morreu em 2011, aos 64 anos. “Durante o estudo, minha mãe ficou doente e eu contei com a ajuda dos colegas de turma. Eles me apoiaram nos momentos mais difíceis”, disse a indígena, que dedicou todo o esforço, com o desfecho da formatura, à memória da mãe.


O pai de Gércia, Alfredo Coimbra, de 78 anos, veio da comunidade de Cucuí, no alto Rio Negro, exclusivamente para ser o paraninfo dela.
Com o pai, Alfredo Coimbra, e amigos de São Gabriel e Manaus

A indígena viaja nos próximos dias para São Gabriel e retorna em dezembro para fazer a prova de Residência Cirúrgica.
Recompensa por tanto esforço é apenas o início de uma longa caminhada

Outros médicos
A UEA ainda não possui o quantitativo exato de indígenas formados em Medicina no Amazonas, mas o número de pessoas interessadas em fazer o curso tem aumentado nos últimos anos.

O interesse é tanto pelo curso que, alguns têm procurado alçar vôos bem mais difíceis em outros estados. É o caso de Adana Kambeba, que nasceu na zona rural de Manaus e é a primeira indígena do Amazonas a ingressar no curso de Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela entrou em 2012 e, a exemplo de Gércia, pretende retornar às origens e contribuir com o conhecimento adquirido, junto aos povos indígenas.

Números
Os números da UEA apontam que, de 2005 a 2012, o Governo do Amazonas ofertou mais de 500 cursos pelo sistema de cotas. As vagas ofertadas chegaram a quase 1,5 mil, enquanto que os inscritos somaram a aproximadamente 7 mil indígenas.

Nem todas as vagas foram preenchidas, mesmo assim, os números são considerados positivos.    


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Seind e Cooperação Alemã GIZ projetam parcerias



Secretário adjunto da Seind, José Mário Mura recebeu as técnicas da GIZ (as três à direita). Fotos: Ascom/Seind

As ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) e parceiros na produção e comercialização de produtos das cadeias produtivas da castanha, pescado e artesanato, por meio do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai), poderão ganhar o reforço da Cooperação Alemã GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit). Técnicos da instituição estiveram em Manaus nesta sexta-feira (10) e coletaram informações sobre os projetos que hoje são executados em comunidades indígenas do Estado.

No ano passado, a GIZ ajudou a Seind a elaborar o planejamento estratégico do órgão e até enviou um moderador para assessorar nas reuniões e oficinas que marcaram a construção das linhas de atuação do Comitê Gestor. A intenção agora é estender esse apoio e, inclusive, verificar a viabilidade de que outras instituições também possam ser inseridas no processo.   

Na reunião desta sexta-feira, que teve a participação da diretora da GIZ responsável pelo Programa de Proteção e Gestão Sustentável das Florestas Tropicais, Katrin Marggraff, o secretário adjunto da Seind, José Mário Mura, destacou a importância de criar novas parcerias, com base na grande demanda que a secretaria tem recebido todos os dias para o atendimento às comunidades indígenas.

“A ideia é aumentar essa parceria dentro das linhas de ação da GIZ, não somente para as cadeias do artesanato, pescado e castanha, mas também para os encauchados em Borba e São Gabriel da Cachoeira, e para o Babaçu em Autazes, por exemplo”, informou José Mário. “Não temos grandes recursos, mas podemos fazer articulações, contudo, o primeiro passo é sistematizar o panorama geral para podermos ver em que área atuar”, acrescentou a representante da GIZ.
Diretora da GIZ, Katrin Marggraff confere artesanato indígena produzido com o látex, a técnica conhecida como Encauchados

A Seind tem incentivado os indígenas a trabalhar com o aproveitamento do látex na produção de peças artesanais, por meio do projeto que é executado pelo Polo de Proteção Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Poloprobio).

Projetos
Os projetos desenvolvidos em benefício das comunidades indígenas foram apresentados pela Seind, por meio do Departamento de Promoção dos Direitos Indígenas (Depi) e o Departamento de Etnodesenvolvimento (Detno). Entre os mais destacados e na lista de prioridades para 2013 está o Projeto de Fortalecimento do Arranjo Produtivo do Artesanato Indígena do Vale do Javari, que é executado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com recursos financiados pela Caixa Econômica Federal.

Apesar de já ter realizado algumas atividades, o projeto precisa avançar em ações como registro fotográfico e produção de catálogo, além da criação do Centro de Comercialização de Artesanato, previsto para Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus) e em execução por meio do Projeto de Desenvolvimento Regional do Estado do Amazonas para o Zona Franca Verde (Proderam).     

Outras ações
Também são passíveis de receber apoio da GIZ, projetos e ações ligados à elaboração de planos de gestão de terras indígenas e à criação de informação sobre essas terras, além do apoio ao fortalecimento das organizações indígenas nas regiões do alto Solimões, Madeira, Purus e em outras regiões do Estado.
Técnicos da Seind e GIZ que participaram da reunião, nesta sexta-feira, na Seind