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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Aldeias de difícil acesso em Atalaia do Norte receberão apoio da Seind em 2015



Grupo de indígenas do povo Mayoruna de Atalaia do Norte, em reunião nesta quinta-feira na Seind, com chefe do Departamento de Etnodesenvolvimento (Detno/Seind), Zuza Cavalcante. Texto e fotos: Isaac Júnior (Ascom/Seind)



As aldeias ‘Lobo’ e ‘Trinta e Um’ são algumas das comunidades indígenas localizadas em áreas de difícil acesso, no Estado, que deverão receber apoio do Governo do Amazonas em 2015. Cinco lideranças indígenas do povo Mayoruna procuraram a Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), nesta quinta-feira (dia 12), para começar a definir as estratégias de ação. 

A proposta é elaborar projetos nas áreas da piscicultura, agricultura familiar, habitação, educação e saúde. Todas deverão ser executados em parceria com outras instituições governamentais, que integram, com a Seind, o Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

No próximo dia 24, a Seind irá intermediar uma reunião dos cinco mayoruna com técnicos da Secretaria de Estado de Educação (Seduc/AM), para tentar viabilizar uma das principais demandas das duas aldeias: a construção de uma escola indígena.

Em meio a idas e vindas, entre um parceiro e outro, também será discutida a possibilidade da aquisição de um transporte fluvial para os comunitários. As aldeias Lobo e Trinta e Um estão a aproximadamente 18 horas (de lancha 250 hp) e três dias de barco da sede, em Atalaia do Norte, onde as famílias vivem da caça, pesca e da comercialização de produtos como farinha e banana.

O cacique Waki Mayoruna agradeceu o apoio da Seind e disse que o órgão será fundamental para que os benefícios possam alcançar o maior número de pessoas, nas duas comunidades.

“Nibëdosh Seind, caid tantienquio”, expressou o líder da aldeia Lobo, na língua nativa, acompanhado de Kanindé, Tumi, André e do professor Kevin, todos mayoruna da comunidade Trinta e Um.

Modelo
Nos últimos dois anos, a Seind foi procurada por indígenas kambeba que, até então, estavam no anonimato, apesar de morarem mais próximos de Manaus, no quilômetro 47 da Rodovia Manuela Urbano. O apoio prestado pela secretaria objetivou garantir o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar para aproximadamente 11 famílias, além da conservação da biodiversidade na área. 
Material entregue a indigenas kambeba, em projeto que deu certo em Manacapuru

O resultado de tudo isso foi a implantação do Programa de Transferência de Tecnologia, com a instalação de uma unidade demonstrativa de produção de macaxeira, banana e outros produtos, feito em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Modelos semelhantes poderão ser construídos com as comunidades indígenas do Vale do Javari”, ressaltou o também mayoruna e chefe do Departamento de Etnodesenvolvimento da Seind (Detno/Seind), Zuza Cavalcante.

Origem
Também conhecidos como Matsés, os indígenas do povo Mayoruna habitam a região de fronteira do Brasil com o Peru, em comunidades espalhadas na bacia do rio Javari e na terra indígena Vale do Javari. Eles convivem com povos falantes de línguas das famílias linguísticas Pano (Matis, Kulina-Pano, Korubo, Marubo) e Katukina (povo Kanamari).

Eles ainda podem ser encontrados na aldeia Marajaí, no município de Alvarães (a 538 quilômetros de Manaus).

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