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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Procura por carteira de ‘Arrais Amador’ cresce entre indígenas e Governo do Amazonas intensifica curso preparatório no interior do Estado


Curso de Arrais Amador realizado recentemente em Coari. Fotos: Divulgação/Seind
Por: Isaac Júnior
 
O número de indígenas interessados em participar do curso preparatório para a prova que possibilita a obtenção da carteira de “Arrais Amador” tem aumentado nos últimos meses no Estado do Amazonas. De janeiro até a primeira semana de agosto, o curso superou a casa de 100 participantes, com beneficiamento direto para indígenas dos povos Sateré, Apurinã, Tikuna, Tukano, Arara, Miranha, Kambeba e Kokama, distribuídos entre os municípios de Tonantins, Iranduba e Coari.

Ministrado por meio da parceria entre a Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) e o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), o curso é intensificado no interior pelo Governo do Amazonas, dentro das normas estabelecidas pela Marinha do Brasil em todo o Território Nacional. A Carteira de Habilitação de Amador (CHA), como é conhecida, tem validade de dez anos e permite a essas populações, a oportunidade de conduzir embarcações de pequeno porte pelos rios da Amazônia.

A capacitação faz parte da Câmara 3, do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai), intitulada Melhoria da Qualidade de Vida dos Povos e Comunidades Indígenas. “A ação do Governo do Estado é de suma importância para os povos indígenas, pois ajuda a regularizar a profissão dos nossos irmãos indígenas e cria novas oportunidades de profissionalizá-los no interior”, destacou o secretário em exercício da Seind, José Mário Mura. 

Apoio fundamental
Para atender a grande procura, a visita de técnicos do Governo do Amazonas tem sido cada vez mais constante às comunidades do interior, com apoio de algumas prefeituras municipais e das próprias organizações indígenas. A última delas foi entre os dias 6 e 14 deste mês, no município de Coari (a 370 quilômetros de Manaus), onde o curso de “Arrais Amador” capacitou um grupo de 50 indígenas, dos povos Tikuna, Tukano, Arara, Miranha, Kambeba e Kokama.
Embarcações utilizadas pelos participantes durante o curso em Coari (AM)

Em junho, a ação já havia beneficiado aproximadamente 30 indígenas tikuna e kokama em Tonantins (a 867 quilômetros de Manaus). O projeto também levou benefícios de forma indireta a 1,4 mil indígenas e atendeu a uma demanda da Associação do Povo Kokama da Sede de Tonantins (APKST), localizada na comunidade Igarapé do Manacá.
Técnico da Seind, Ronisley Martins (ao centro) ensina técnicas de nós aos participantes em Tonantins (AM)

Em julho, o curso chegou a Iranduba (a 70 quilômetros de Manaus) para 25 pessoas, em cumprimento às condicionantes indígenas para atendimento ao Programa de Compensação e Mitigação da Ponte sobre o Rio Negro.

Nos três casos, todos os participantes receberam noções sobre condução e segurança em navegação fluvial e foram qualificados conforme as normas de navegação e conteúdos específicos para subsidiá-los durante a realização da prova.

Linguagem adequada
O conteúdo é transmitido dentro de uma linguagem adequada aos próprios indígenas, de acordo com o técnico do Departamento de Etnodesenvolvimento da Seind e instrutor do curso, Ronisley Martins. “Não é só conhecimento técnico que é passado, mas há uma adequação da linguagem ao conhecimento tradicional, ou seja, a didática é o envolvimento deles com a dinâmica, para que obtenham o conhecimento por meio da atividade”, explicou Ronisley.

Durante o preparatório, entre aulas teóricas e práticas os indígenas têm acesso a nomes, tipos e outros detalhes sobre embarcação; normas de segurança em navegação; sinalização; equipamentos de salvatagem; registro e cartografia náutica. São repassadas técnicas de nós, ancoragem, salvamento aquático, além de noções sobre primeiros socorros, combate a incêndio e meio ambiente.

Após realizar o curso, algumas prefeituras têm encaminhado os nomes dos aprovados à Capitania dos Portos, para que realizem a prova, de acordo com o calendário estabelecido pela Marinha. O certificado de participação é entregue pelo Cetam.

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